No Brasil, não há como negar a influência da mídia sobre a sociedade. Infelizmente, são poucos os brasileiros que têm o hábito de ler. Na sua grande maioria, o pouco de informação que possuem, está ligado unicamente ao que a TV e o rádio divulgam. Raros são os que procuram outras fontes para conhecer mais a fundo um determinado assunto.
A programação das rádios e das televisões, em sua grande maioria é de péssima qualidade, e não leva em conta a realidade vivida pela maioria da população. Por exemplo, a influência da TV na vida das pessoas é tamanha, que não há como pensar que não tardará o dia, em que podemos perder o controle sobre nossas vidas.
Hoje, pais lutam para que seus filhos não percam o discernimento sobre o que é certo ou errado, que não se deixem levar exclusivamente pelas opiniões de algumas poucas pessoas influentes na mídia. Os jovens, que na sua grande maioria são os mais influenciáveis, por estarem ainda em processo de formação, são os que mais sofrem com a manipulação das informações. As escolhas feitas nesta idade em sua grande maioria são realizadas principalmente pelo que se vê na novela, nos filmes e programas voltados para esta faixa etária. Facilmente encontramos vários jovens agindo da mesma forma e assim, formam uma legião de pessoas iguais no modo de agir, pensar ou se vestir.
No caso da TV, ela possui um papel de destaque entre os meios de comunicação em massa e, portanto, com uma influência ainda mais marcante, principalmente por se tratar de um meio de comunicação de fácil acesso. Além de unir dois fatores importantíssimos, imagem e som. Em qualquer lugar, por exemplo, na hora do almoço não é raro encontrar um aparelho ligado para “distrair” os que estão presentes no recinto. E logo em seguida, ao andar pelas ruas, facilmente encontram-se pessoas discutindo sobre os assuntos que foram pincelados durante aquela meia hora de descanso, como se fossem verdadeiros estudiosos de assuntos, como política e economia.
Em casos como o da menina Isabella, que morreu após cair da janela do apartamento localizado no sexto andar em um prédio de São Paulo, onde ela passava os finais de semana com o pai e a madrasta. Após a mídia noticiar exaustivamente o fato, mais da metade da população chegou à conclusão que o pai e a madrasta da menina eram realmente os culpados pela morte. Aos que acompanhavam o caso, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, já estavam julgados e condenados a pena máxima antes mesmo que fossem concluídas as investigações policiais.
Outro caso em que a opinião pública foi profundamente influenciada pela mídia, está ligado à Escola Base, onde os donos Maria Aparecida Shimada e seu marido Icushiro Shimada, e mais o colaborador Maurício de Alvarenga, sofreram injustamente por acusações, em 1994, por promoverem orgias com crianças que estavam matriculadas na escola que mantinham no bairro da Aclimação, São Paulo.
Até o momento, é o mais grave que já ocorreu na relação mídia-polícia-acusados na história do país. E é constantemente citado e muito comentado entre os profissionais da imprensa, principalmente porque ao final das investigações, os até então culpados pelos crimes cometidos no interior da escola, foram inocentados. Neste episódio, a imprensa assumiu como fato comprovado a denúncia de uma mãe de alunos, e em nenhum momento, levantou a possibilidade de estar divulgando erroneamente um fato. Não ocorreu a preocupação de se ouvir o outro lado da história.
No episódio da escola, julgado precipitadamente e exposto amplamente pelos meios de comunicação, principalmente TVs e jornais, destruíram a vida de inocentes que mesmo após mais de uma década do ocorrido, não conseguiram se reerguer. Os jornalistas que participaram do linchamento moral, no qual os donos da escola foram condenados, e os policiais que mais do que rapidamente correram em divulgar o caso para a imprensa, nunca foram punidos de qualquer forma.
Mesmo com os erros cometidos no passado e, provavelmente com os que virão a acontecer, é impossível deixar de lado o papel de grande importância que a mídia exerce sobre toda a sociedade. A mesma TV, que influencia negativamente as crianças que precisam ser educadas para aprender a ter um olhar crítico sobre o que ela lhes oferece, também é a responsável pela união da família em frente ao aparelho para momentos de lazer, principalmente as mais humildes.
É através das notícias divulgadas que a sociedade constrói seus relacionamentos, que as pessoas aprimoram os seus conhecimentos e que opiniões são formadas. Os conceitos de certo e o errado fazem parte da índole de cada um, porém a mídia influencia sim, nas idéias que mudam de acordo com o que é apresentado ao cidadão.
Uma população desenformada é facilmente dominada por pessoas mal intencionadas. Por isso, mesmo com a crescente preocupação com o que divulgado, é inconcebível a idéia de retroceder no tempo. Tempo este, em que os militares cerceavam a liberdade de imprensa, censurando e perseguindo jornalistas e veículos de comunicação que omitiam opiniões contrárias à do governo que comandava o país. Espera-se que as pessoas tenham o discernimento necessário para separar o joio do trigo, e desta forma, perceber e não cair nos artifícios usados apenas para a venda de jornais ou aumento na audiência.